Esse relato serve de alerta para todos nós!

Será que nosso emprego e nossa formação acadêmica definem quem somos? Vivemos em uma realidade em que o nível de estudo vai determinar a "qualidade do seu emprego", porém pessoas como Beatriz Franco estão dispostas a balançar essa visão.

Formada em Jornalismo, com domínio em três idiomas, apos perder o emprego em São Paulo e voltar para Santos, cidade onde seus pais moram, Beatriz começou a trabalhar como freelancer, dar aulas de idiomas e traduzir textos. Porém, no começo do ano, a jovem relata que os clientes passaram a solicitar menos serviços e em conversas com amigos da área, percebeu que o mercado estava em uma crise alta.

Foi então que uma amiga de Beatriz pediu ajuda para encontrar uma atendente para sua loja de doces e Beatriz se ofereceu para a vaga. "Eu sei lidar com as pessoas, conheço e confio nos produtos dela, poderia ser uma alternativa. Ela gostou da ideia", relata.

Beatriz começou a trabalhar na loja de doces quatro vezes por semana e continuou dando aulas particulares. Após iniciar o trabalho como atendente, ela refletiu sobre a mudança na carreira e percebeu como era preconceituosa, assim como muitas pessoas, que enxergam certas funções com um ar de superioridade. Ela se sentiu incomodada pelos seus próprios pensamentos, afinal ninguém deve ter vergonha de optar por um trabalho honesto, independente de qual for.


Ela fez então um relato no Facebook sobre o caso, e seu texto viralizou em poucos dias!

Confira o incrível relato dela:

"Me descobri preconceituosa. Eu, que defendo tanto a igualdade de gêneros, de cor, de religião, que tenho amigos gays, nordestinos, evangélicos, jovens, velhos, com dinheiro e sem, até coxinhas e petralhas! Vários tipos de rótulos.
Explico: Nos últimos meses, minha área de trabalho – como muitas – está muito ruim. Em quatro meses não consegui quase nada. Então, depois de meses me enterrando num sofá perdendo tempo, vida e dinheiro, surgiu a oportunidade de ajudar uma amiga atendendo clientes em sua loja de doces. Quatro vezes por semana, período da tarde, remunerado. Uma boa forma de ocupar a cabeça, sair de casa e ter algum dinheiro. Foi aí que veio o primeiro julgamento: Eu, balconista? Jornalista, três idiomas, currículo em comunicação, trabalhando de touquinha na cabeça servindo os outros? Foi difícil tomar essa decisão, mas aceitei, estou precisando.
Dias depois, a cena durante a tarde, limpando uma das mesas, ouvi dois clientes conversando: “Coloco acento em ‘tem’? Mudou com a nova ortografia?” “Não sei. Não entendo.” E eu ali me remoendo pra dizer “eu sei, eu sei!!!”. Mas, eu era só uma atendente e eles não iriam acreditar que eu sabia. Depois a barreira seguinte: conhecidos e colegas antigos entrarem na loja e me verem nessa função. “O que eles vão pensar? Eles não sabem como cheguei até aqui, que a dona é minha amiga, vão pensar que não dei certo na vida.”
Dá pra entender como isso é errado??? Era com essa inferioridade que eu via os outros atendentes, balconistas e nunca tinha percebido! Sentia vergonha por estar em um trabalho honesto, justo, que traz alegria para as pessoas, que auxilia os outros? Eu deveria é ter vergonha de mim por pensar assim, por tanta falta de humildade e empatia. Por um preconceito idiota eu ia perder a chance de conhecer tanta gente nova como nas últimas três semanas, de ouvir tantas histórias de vida como sempre gostei de fazer, de aprender um novo trabalho, de ajudar uma amiga, de ter dinheiro pra comprar uma nova bicicleta, pra ir no casamento de uma amiga em outra cidade, de viver! Em tão pouco tempo, esse trabalho que eu achava tão inferior já me ajudou a estar mais feliz, disposta, a ter novas ideias, entender como uma pequena empresa funciona, a buscar cursos para aprender mais.
Como dizia meu avô: A vida não é como a gente quer, é como ela se apresenta! Então, estou aqui aceitando com muito amor e gratidão o que me foi apresentado. Aceitando novas formas de crescer e evoluir com, por enquanto, um preconceito a menos. Hoje, estou aqui, jornalista, tradutora, professora de idiomas, aprendiz de gestora e sim, atendente de um ateliê de doces. E o que mais precisar, a gente aprende a fazer também! E, modéstia à parte, eu tbm fico linda de touquinha!
Esse textão é pra tirar de uma vez essa vergonha de mim, para agradecer pela confiança e apoio dos queridos amigos Veronica, Bruno e Felipe, pelo empurrão dos meus pais Edna e Orlando e, talvez, se não for me achar muito, ajudar alguém a fazer a mesma reflexão e dar um passo à frente se for o momento."

Que esse relato sirva como um "despertar" para nós - como ela mesma diz, "não devemos sentir vergonha de nenhum trabalho honesto"!

Fontes: bestofweb.com.br; g1.globo.com
Reviewed by Túnel Nerd on 6/10/2016 11:37:00 AM Rating: 5

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